O interesse por assistir o filme A Caminho de Casa obviamente foi por falar sobre cães e eu sendo fã incondicional de bichos fui assistir.  Assisti com receio, pois poderia ser uma cilada e por desconhecer o diretor Charles Martin Smith, que por minhas A CAMINHO DE CASApesquisas tem em sua trajetória filmes com golfinhos e até sobre um outro cão (“Bud – O cão amigo”) de 1997 que passava nas sessões da tarde na TV. Ele não é um grande diretor e não criou uma grande obra, mas soube conduzir um filme com dignidade, provando que o cachorro é o melhor amigo do homem.

Já vou advertindo que se você detesta filmes que os animais são narrados por alguém não vá assistir este filme. A cadela Bella é narrada pela atriz Bryce Dallas Howard (conhecida por “Jurassic World”), mas sem a alusão de que os animais falam de verdade. O filme não é nada parecido com “Marley e eu” (2008) e “Sempre ao seu lado” (2009), mas promete algumas lágrimas, principalmente aos adoradores de cães.

Não há como não destacar a fofice e expressividade da cadela Bella (que é um cachorro de verdade e não uma computação gráfica) que nos faz dar suspiros, sentir pena e torcemos por ela durante toda sua trajetória. O filme em si é bobo, mas se você se permitir há várias metáforas e momentos que podemos repensar sobre a vida e o modo como estamos agindo.

Advirto que o elenco é bem fraco, daqueles filmes de sessão da tarde ruim e o filme vale pela narrativa e pela estrela protagonista. Bella é encontrada por Lucas (Jonah Hauer King) em um terreno abandonado onde ela vive rodeada de gatos de rua. A cadela fica órfã de sua mãe que é da raça pitbull e é proibida esta raça na cidade. Bella é adotada por uma gata e essa relação é muito bem retratada no filme, demonstrando que as diferenças podem se unir.

 Lucas que é estudante de medicina veterinária a resgata deste lugar que será destruído pelo ganancioso empresário Gunter (Brian Markinson). Bella se muda para uma vida cheia de privilégios e onde é retratado todos estes grandes momentos que temos com nossos cães (as brincadeiras, as comidas proibidas compartilhadas, a descoberta da neve, dormir junto, o cheiro do dono num pano, os momentos de solidão, os sapatos destruídos e os ensinamentos que passamos). Todos estes momentos são delicados e divertidos e embalados pela trilha sonora de Michael Danna (“500 dias com ela”) que acerta em algumas escolhas musicais, mas a maioria é bem piegas e apelativa.

Os dias que a pet passa com Lucas e sua mãe Terri (Ashley Judd) são encantadores e demonstram como um cão pode ajudar até na recuperação de pessoas que passam por uma depressão. Lucas leva Bella escondida para o hospital que trabalha, pois como inquilino não poderia ter animais de estimação, além de uma lei estadual que impede que cães da raça de Bella circulassem livres pela rua. No hospital Bella traz vida e empolgação para diversos pacientes que passaram por traumas e têm problemas físicos e aqui pode se abrir o debate sobre a permissão de cães no tratamento de pessoas em hospitais. Acredito que os bichos entendem quase tudo e ajudam na recuperação de muitas pessoas.

O drama começa quando Bella é capturada pelo controle de animais sendo levada para um abrigo onde é de cortar o coração as cenas. Ela seria sacrificada baseada numa lei em que não se pode criar um pitbull na cidade. Lucas consegue a posse de Bella caso ele se mude e Bella é enviada para o Novo México até que seu dono ache uma casa nova. Lucas ensina para ela uma frase que Bella nunca esqueceria:” Volte para a casa”.

Esta frase que a motiva fugir de onde estava e assim ela entra numa aventura de dois anos e meio em busca de seu dono. No caminho de 400 milhas ela encontra um Puma e dali nasce uma relação de mãe e filha improvável.  Há momentos de solidão, de fome, de desistências, ela é adotada por um casal gay, se apaixona por um cão, luta com lobos, conhece pessoas más, pessoas que devem permanecer sozinhas, adotada por um mendigo presencia a tristeza e  a morte e durante todo este trajeto cheio de medo misturado com coragem o espectador se envolve, mesmo que o final seja previsível e que seja clichê o roteiro.

O que me toca no filme é que acredito que cada bichinho é predestinado para cada pessoa e eles aparecem em nossas vidas quando mais precisamos. Além de ser interessante ver a importância que o dono tem para seu animal de estimação ( o que geralmente vemos ao contrário nos filmes).Esta obra passa a lição de o quanto eles nos fazem  bem e nos querem bem e que muitas pessoas deveriam ter mais empatia com os bichos (e não digo só cães).

Desconhecia que “A caminho de casa” (“A Dog Way Home”) é um livro escrito por W. Bruce Cameron. Acredito que teve uma adaptação interessante e comovente para as telas e que vai agradar crianças (por ter um viés mais infantil) e pelos apaixonados por pets. Tenho certeza que timidamente você vai secar umas lágrimas sentado na poltrona do cinema, mesmo que o diretor traga tudo mastigadinho ao espectador.

Obedecer inocentemente o “Volte para casa” faz com que Bella passe por grandes riscos para realizar o sonho de reencontrar o seu dono.  E a narrativa vai comovendo, causa tensões e risos e aquele filme que parecia ser bobo começa a ter algum sentido se você se permitir.  Podemos criar questionamentos de como estamos agindo com o próximo, o quanto devemos deixar algumas pessoas partirem de nossas vidas e que sim os bichos nos escolhem.

Em “A Caminho de Casa” teremos a prova do amor que não pede nada em troca e de o quanto pode ser fortalecedor ter um bichinho e a capacidade que eles têm de mudar totalmente a vida de uma pessoa. Você que possui animais de estimação vai refletir e duvido que não chegue em casa e não dê atenção para ele. Um filme para entreter e a prova de um amor incondicional.

Há críticos que consideram o filme nada emotivo e mal estruturado, talvez eu estivesse sensível demais, pois não há como ver aqueles olhinhos e não se emocionar.

Author

Atriz há 16 anos, apaixonada por cinema. Filha do gerente do ex-cinema Marrocos.

Comments are closed.