{"id":26288,"date":"2018-11-08T15:50:55","date_gmt":"2018-11-08T18:50:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/?p=26288"},"modified":"2018-11-08T15:50:55","modified_gmt":"2018-11-08T18:50:55","slug":"festival-do-rio-2018-sexto-dia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/central42.com.br\/novo\/festival-do-rio-2018-sexto-dia\/","title":{"rendered":"Festival do Rio 2018 | Como foi o sexto dia desta edi\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<!-- Start Audima Widget Injection -->\n<div id=\"audimaWidget\"><\/div>\n<script src=\"https:\/\/audio.audima.co\/audima-widget.js\"><\/script>\n<!-- End Audima Widget Injection -->\n<p>No sexto dia deste Festival, foram quatro filmes completamente diferentes entre si.<\/p>\n<p>Dois italianos (o romance Entre Tempos e a com\u00e9dia O Caravaggio Roubado), um franc\u00eas (o drama A Prece) e um nacional (Morto N\u00e3o Fala, com Daniel de Oliveira).\u00a0Infelizmente, nenhum \u00e0 altura de Capharna\u00fcm ou A Casa que Jack Construiu, os melhores at\u00e9 agora.<\/p>\n<p>Vamos \u00e0s cr\u00edticas:<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><em>Entre Tempos (Ricordi?)\u00a0<\/em>| 2\/5 Estrelas<\/strong><\/h4>\n<p>Em Roma, Lui \u00e9 um sujeito depressivo e que anda pelos cantos procurando algu\u00e9m para ouvir seus lamentos. <a href=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2479527.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-26296\" src=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2479527.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\" alt=\"Festival do Rio\" width=\"303\" height=\"401\" srcset=\"https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2479527.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 303w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2479527.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-113x150.jpg 113w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2479527.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-227x300.jpg 227w\" sizes=\"(max-width: 303px) 100vw, 303px\" \/><\/a>Lei \u00e9 uma mulher vibrante, de sorriso f\u00e1cil e que mal consegue lembrar de um momento ruim de sua vida. Num belo dia, os dois acabam se conhecendo numa festa e, no melhor estilo \u201cos opostos se atraem\u201d, se apaixonam.<\/p>\n<p>Essa hist\u00f3ria n\u00f3s j\u00e1 vimos um milh\u00e3o de vezes, \u00e9 verdade. Algumas obras, mesmo com uma premissa t\u00e3o superficial como essa, conseguem entregar um produto final acima da m\u00e9dia, gra\u00e7as a abordagem que \u00e9 adotada. N\u00e3o se trata do assunto a ser abordado, mas como ele \u00e9 abordado. O Cinema sempre foi assim. O primeiro diferencial de Entre Tempos, no entanto, \u00e9 utilizar esse cl\u00e1ssico ponto de partida para construir uma hist\u00f3ria sobre a natureza das lembran\u00e7as.<\/p>\n<p>Inicialmente, esse elemento rende pontos positivos, como a ideia de estruturar todo o filme em cima das lembran\u00e7as, estabelecendo uma l\u00f3gica de montagem que segue de perto uma simula\u00e7\u00e3o do fluxo de lembran\u00e7as. Assim, quando Lui observa sua casa antiga e lembra de sua inf\u00e2ncia, o filme de Valerio Mieli imediatamente corta para uma passagem da inf\u00e2ncia do personagem. H\u00e1 vezes que o ato de lembrar pode levar mais que um minuto, mas \u00e0s vezes, pode levar uma fra\u00e7\u00e3o de segundo, gerando apenas um flash na tela.<\/p>\n<p>Essa artif\u00edcio engenhoso de montagem rende bons frutos no primeiro ato, quando ainda estamos conhecendo Lui e Lei e mal nos importamos com suas divaga\u00e7\u00f5es sobre a natureza das lembran\u00e7as e seus reflexos na vida. Lui, por sinal \u00e9 completamente dominado por suas lembran\u00e7as, o que o leva a uma verdadeira obsess\u00e3o, adotando um modo de viver que se seguia justamente por elas.<\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que o sujeito passe o tempo todo falando da mem\u00f3ria e quanto isso impactou na sua vida. E quando escrevo \u201co tempo todo\u201d, n\u00e3o \u00e9 exagero, j\u00e1 que nem mesmo durante o ato sexual o rapaz \u00e9 capaz de se permitir a um momento livre de seus pensamentos nost\u00e1lgicos. \u201cAs coisas s\u00e3o bonitas porque acabam\u201d, diz ele em certo momento, apenas para ser rebatido por Lei, \u201cN\u00e3o, elas s\u00e3o menos bonitas porque acabam\u201d.<\/p>\n<p>Lei, por sua vez, demora a perceber o relacionamento c\u00e1ustico que possui com Lui, que aos poucos vai contaminando-a com seu ar triste e melanc\u00f3lico. Nesse aspecto, as performances do casal soam acertadas: enquanto o astro italiano Luca Marinelli (Meu Nome \u00e9 Jeeg Robot) investe numa composi\u00e7\u00e3o que se aproveita do visual desgrenhado, com direito a olheiras e roupas negras para criar um homem que desperdi\u00e7a a vida dando import\u00e2ncia demasiada a recorda\u00e7\u00f5es, Linda Caridi (Antonia.) n\u00e3o tem dificuldades para usar sua simpatia a favor de Lei, concebendo uma mulher radiante, mas que n\u00e3o deixa de usar sua intelig\u00eancia para rebater as afirma\u00e7\u00f5es do namorado.<\/p>\n<p>Infelizmente, tudo o que o Entre Tempos tem a oferecer se esgota ainda no primeiro ato, evidenciando que o roteiro n\u00e3o se sustenta num longa-metragem. A montagem, que certamente demandou um trabalho herc\u00faleo, cansa, assim como a qu\u00edmica do casal vai se diluindo com a din\u00e2mica previs\u00edvel e sem nuances. Para piorar, o diretor Valerio Mieli tenta incluir passagens supostamente art\u00edsticas, mas falha em atribuir significados, resultando num esfor\u00e7o que soa apenas pretensioso.<\/p>\n<p>O destaque fica por conta da fotografia, bel\u00edssima ao retratar uma It\u00e1lia de m\u00faltiplas paisagens, desde campos enevoados at\u00e9 praias paradis\u00edacas. A trilha sonora, embora nada fora do normal, n\u00e3o compromete a narrativa, complementando as imagens com extrema gra\u00e7a em seus melhores momentos. Uma pena que o filme dure intermin\u00e1veis 106 minutos. Como curta-metragem tinha tudo para ser magn\u00edfico.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><em>A Prece (La Pri\u00e8re)<\/em>\u00a0| 3.5\/5 Estrelas<\/strong><\/h4>\n<p>O jovem Thomas (Anthony Bajon) \u00e9 viciado em hero\u00edna e, ap\u00f3s uma overdose (e sem ter parentes pr\u00f3ximos) acaba sendo mandado para um centro de reabilita\u00e7\u00e3o cat\u00f3lico ao p\u00e9 das montanhas do centro-leste franc\u00eas.<a href=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4947887.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-large wp-image-26292\" src=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4947887.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-445x650.jpg\" alt=\"Festival do Rio\" width=\"445\" height=\"650\" srcset=\"https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4947887.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-445x650.jpg 445w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4947887.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-103x150.jpg 103w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4947887.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-205x300.jpg 205w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/4947887.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 739w\" sizes=\"(max-width: 445px) 100vw, 445px\" \/><\/a> L\u00e1, ele acaba descobrindo que h\u00e1 todo um universo povoado de pessoas interessadas em ajudar, querendo seu bem-estar. Vivendo como algu\u00e9m desacostumado a gentilezas, Thomas experimenta um choque de realidade que aos poucos vai introduzindo a F\u00e9 em sua vida.<\/p>\n<p>Oferecendo uma performance absolutamente magn\u00e9tica, Anthony Bajon confere diversas camadas a Thomas, soando inocente e de cora\u00e7\u00e3o bondoso, ao mesmo tempo que rude e imaturo em suas a\u00e7\u00f5es (e seu olhar cortante muitas vezes \u00e9 o que basta para sentirmos sua afli\u00e7\u00e3o). Com dificuldades em resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o das drogas, Thomas inicialmente reluta e at\u00e9 foge daquela que se apresenta como uma situa\u00e7\u00e3o completamente nova, o que o cega para as virtudes do centro. O roteiro merece cr\u00e9ditos pelo elaborado arco dram\u00e1tico de Thomas, mas \u00e9 mesmo Bajon que torna o personagem t\u00e3o rico e fascinante.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Retratando o centro de reabilita\u00e7\u00e3o como um local de recupera\u00e7\u00e3o f\u00edsica, psicol\u00f3gica e, principalmente, espiritual, A Prece n\u00e3o economiza nas frases panflet\u00e1rias, mas coloca o pr\u00f3prio Thomas para combat\u00ea-las criticando e at\u00e9 ridicularizando-as. Inteligente, esse artif\u00edcio serve para desarmar qualquer interpreta\u00e7\u00e3o tendenciosa. Mesmo com evidente inclina\u00e7\u00e3o religiosa, ao menos a produ\u00e7\u00e3o permite contesta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, no terceiro ato, a dramaturgia e a espiritualidade entram em choque, quando num incidente crucial para o arco dram\u00e1tico de Thomas, o roteiro abre espa\u00e7o para o intang\u00edvel, possibilitando uma solu\u00e7\u00e3o sobrenatural que simplesmente tira a credibilidade de uma jornada que tinha tudo para ser finalizada com sucesso. Assim, ao descambar de vez para o lado religioso, a produ\u00e7\u00e3o afasta os m\u00e9ritos de Thomas, atribuindo sua recupera\u00e7\u00e3o a fontes externas.<\/p>\n<p>Apesar de enfraquecer seu protagonista em seu ter\u00e7o final, A Prece \u00e9 um filme que merece elogios pela forma sempre econ\u00f4mica com que fornece informa\u00e7\u00f5es ao espectador, evitando di\u00e1logos expositivos organicamente, como na primeira cena de Thomas. A trilha sonora tamb\u00e9m ganha pontos por optar n\u00e3o comentar a narrativa, atuando de forma discreta e apenas pontual.<span class=\"Apple-converted-space\">\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Beneficiando-se de simbolismos que enriquecem a narrativa (a ideia de trabalhar para se redimir, o buraco que deve ser cavado ou a caminhada pela montanha), A Prece funciona melhor quando a aproxima\u00e7\u00e3o com o intang\u00edvel n\u00e3o passa do flerte, e mesmo quando se entrega a can\u00e7\u00f5es de louvor, n\u00e3o chega a soar t\u00e3o artificial como em suas escolhas finais, quando a religi\u00e3o interfere fatalmente no melhor elemento do roteiro: seu protagonista.<i><\/i><\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><em>O Caravaggio Roubado (Una Storia Senza Nome)\u00a0<\/em>| 3\/5 Estrelas<\/strong><\/h4>\n<p>Datada de 1609, a obra La Nativit\u00e0, de Caravaggio, estava exposta numa capela de Palermo, na It\u00e1lia, at\u00e9 ser roubada em 1969. Mesmo com uma vasta lista de suspeitos, o crime jamais foi solucionado e a pintura permanece desaparecida at\u00e9 hoje. Inspirando v\u00e1rios filmes ao redor do mundo, o caso acaba de ganhar uma vers\u00e3o \u201ccaseira\u201d com O Caravaggio Roubado (ou Una Storia Senza Nome, no original).<\/p>\n<p>Na trama, escrita e dirigida por Roberto And\u00f2 (As Confiss\u00f5es), Valeria (Micaela Ramazotti) \u00e9 a secret\u00e1ria de um poderoso produtor de cinema que atua como escritora fantasma de um famoso roteirista nas horas vagas. <a href=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/1219862.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-26293\" src=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/1219862.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\" alt=\"Festival do Rio\" width=\"479\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/1219862.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 479w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/1219862.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-112x150.jpg 112w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/1219862.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 479px) 100vw, 479px\" \/><\/a>Um dia, ela recebe uma liga\u00e7\u00e3o misteriosa de algu\u00e9m pronto para contar uma hist\u00f3ria perfeita para ser levada \u00e0s telas: a do famigerado Caravaggio roubado.<\/p>\n<p>Ora sat\u00edrico, ora partid\u00e1rio do suspense, o roteiro de And\u00f2 se equilibra com extrema dificuldade, logrando \u00eaxito pleno apenas no tom farsesco de sua hist\u00f3ria, que oportuniza o humor e gera um clima agrad\u00e1vel. O Caravaggio Roubado sempre funciona melhor quando flerta com a caricatura, divertindo com o d\u00fabio personagem gago ou a vers\u00e3o idosa de O Santo.<\/p>\n<p>Sem se preocupar em dar maiores explica\u00e7\u00f5es sobre seus personagens, o filme mergulha de cabe\u00e7a na embalagem barroca corroborada pela fotografia, adotando uma trilha sinf\u00f4nica que confere uma atmosfera erudita \u00e0 narrativa. Por outro lado as redund\u00e2ncias do script menosprezam a intelig\u00eancia do espectador, como ao apresentar pequenos flashbacks ao final, assegurando que as reviravoltas sejam devidamente entendidas.<\/p>\n<p>Reservando algumas reviravoltas previs\u00edveis e outras completamente desnecess\u00e1rias (e despropositadas), a hist\u00f3ria se permite ainda pequenas provoca\u00e7\u00f5es ao mundo cinematogr\u00e1fico, como ao colocar um personagem afirmando \u201cdetestar\u201d o cineasta dinamarqu\u00eas Lars Von Trier ou ao exibir, no escrit\u00f3rio de um personagem, um imenso letreiro luminoso com a frase \u201cO Cinema \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o sem futuro\u201d de Louis Lumi\u00e8re.<\/p>\n<p>O elenco \u00e9 encabe\u00e7ado por uma Valeria Ramazotti irreconhec\u00edvel, encarnando uma esp\u00e9cie de vers\u00e3o italiana de Jamie Lee Curtis ao surgir de cabelos curtos e emulando trejeitos da atriz americana em True Lies. Enquanto isso, o veterano Renato Carpentieri demonstra estar se divertindo na pele de um super policial que mais parece um espi\u00e3o. J\u00e1 Alessandro Gassman (vil\u00e3o principal de Carga Explosiva 2) \u00e9 pouco aproveitado pelo roteiro, mas aproveita cada segundo de tela com seu charme habitual.<\/p>\n<p>Escorregando feio no suspense (note o mist\u00e9rio bobo com uma c\u00e2mera escondida no cl\u00edmax), mas compensando com trama rocambolesca que, se n\u00e3o chega a provocar gargalhadas, ao menos deve servir para arrancar sorrisos do espectador. Pode n\u00e3o parecer muito, mas pelo menos n\u00e3o representa um embara\u00e7o.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: center;\"><strong><em>Morto N\u00e3o Fala (Idem)<\/em>\u00a0| 3\/5 Estrelas<\/strong><\/h4>\n<p>N\u00e3o \u00e9 de hoje que o Cinema Brasileiro carece de obras do g\u00eanero terror. Nem parece que vivemos no pa\u00eds de Jos\u00e9 Mojica Marins, o Z\u00e9 do Caix\u00e3o, o leg\u00edtimo rei do terror brasileiro. <a href=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2188384.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-26294\" src=\"http:\/\/www.central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2188384.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg\" alt=\"Festival do Rio\" width=\"350\" height=\"514\" srcset=\"https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2188384.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg 350w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2188384.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-102x150.jpg 102w, https:\/\/central42.com.br\/novo\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/2188384.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxx-204x300.jpg 204w\" sizes=\"(max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/a>\u00c9 uma pena que somente de vez em quando surja algu\u00e9m para desafiar os padr\u00f5es, como foi o caso de Tom\u00e1s Portella e seu Isolados (2014) e, mais recentemente, J.C. Feyer com O Rastro (2017). Portanto, quando Morto N\u00e3o Fala foi anunciado, muitos acompanharam sua produ\u00e7\u00e3o com um misto de ansiedade e receio.<\/p>\n<p>Felizmente, o diretor Dennison Ramalho, estreante em longas, mas experiente como roteirista, parece ter entendido todos os mecanismos do g\u00eanero, concebendo uma hist\u00f3ria que faz o uso perfeito do terror para discutir um tema maior, no melhor estilo George A. Romero. Aqui, Ramalho discute a viol\u00eancia urbana, dando voz a um protagonista residente da periferia e cujo trabalho \u00e9 pouco representado no cinema.<\/p>\n<p>Daniel de Oliveira \u00e9 quem interpreta o protagonista, St\u00eanio, que faz plant\u00e3o num IML de S\u00e3o Paulo. Por outro lado, ao contr\u00e1rio do que sua vida banal pode sugerir, St\u00eanio tem o dom de ouvir os mortos, conseguindo ouvir e ser ouvido pelos cad\u00e1veres que recebe no necrot\u00e9rio. Mas ap\u00f3s descobrir estar sendo tra\u00eddo por sua esposa, Odette (Fabiula Nascimento), resolve quebrar a regra dos mortos e usar uma informa\u00e7\u00e3o obtida do al\u00e9m para jurar de morte Jaime (Marco Ricca), o ricard\u00e3o.<\/p>\n<p>Evidentemente, Morto N\u00e3o Fala inclui quase todas as conven\u00e7\u00f5es do Terror, investindo em vultos cruzando a tela e os famigerados sobressaltos na trilha sonora, mas Dennison Ramalho vai al\u00e9m e abra\u00e7a o trash, conferindo certa precariedade em alguns aspectos da produ\u00e7\u00e3o, principalmente nos bizarros efeitos visuais utilizados para a anima\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres. Al\u00e9m disso, o roteiro simplesmente escancara lacunas importantes, como ao mostrar os filhos de St\u00eanio frequentemente sozinhos ou no hil\u00e1rio momento onde um morto se levanta para fazer uma pergunta e \u00e9 respondido por outro funcion\u00e1rio do IML, que reage com naturalidade (!).<\/p>\n<p>Nas entrelinhas, por\u00e9m, o roteiro de Ramalho busca uma reflex\u00e3o acerca da viol\u00eancia urbana, introduzindo fac\u00e7\u00f5es criminosas e aproveitando o sensacionalismo da m\u00eddia. Complementando, h\u00e1 tamb\u00e9m um pertinente coment\u00e1rio sobre o machismo que toma conta da trama a partir dos motivos ego\u00edstas de St\u00eanio, cuja culpa pela morte da esposa jamais \u00e9 neglicenciada pela hist\u00f3ria, o que n\u00e3o deixa de ser admir\u00e1vel.<\/p>\n<p>St\u00eanio \u00e9 vivido por um Daniel de Oliveira (Aos Teus Olhos) que n\u00e3o economiza nos olhos arregalados e nos arroubos de f\u00faria, destacando-se nas sequ\u00eancias de pesadelo, ao passo que Fab\u00edula Nascimento compensa a falta de carisma na fase \u201cviva\u201d de Odette com uma forte presen\u00e7a \u201cfantasmag\u00f3rica\u201dcorroborada pelo bom trabalho da maquiagem.<\/p>\n<p>Maquiagem esta que ajuda a construir algumas sequ\u00eancias realmente assustadoras. Afinal, quando n\u00e3o est\u00e1 apelando para o som alto da trilha sonora, Morto N\u00e3o Fala tamb\u00e9m \u00e9 capaz de provocar arrepios, como nos momentos a la Atividade Paranormal e \u00e0s apari\u00e7\u00f5es de Odette. J\u00e1 o design de som representa um desservi\u00e7o, tanto nos di\u00e1logos (abafados) como nas Set-pieces. Seguindo por esse caminho, a trilha sonora surge apropriadamente irregular, constituindo-se de tr\u00eas ou quatro estilos completamente distintos entre si.<\/p>\n<p>\u00c9 uma pena portanto que a hist\u00f3ria jamais abrace o trash de vez: h\u00e1 momentos marcantes como o do pesadelo com linhas banhadas em cerol ou toda a sequ\u00eancia da possess\u00e3o de Odette no terceiro ato, mas, no geral, o filme \u00e9 prejudicado por um estilo que s\u00f3 introduz o trash homeopaticamente e a partir do segundo ato.<\/p>\n<p>Funcionando como terror ao ser respons\u00e1vel por algumas das melhores sequ\u00eancias do g\u00eanero brasileiro nos \u00faltimos anos, Morto N\u00e3o Fala tamb\u00e9m abusa do gore para incrementar seus sustos, resultando numa experi\u00eancia satisfat\u00f3ria e que transmite esperan\u00e7a para os amantes do bom e velho terror, seja trash ou n\u00e3o.<\/p>\n<script>console.log('Aud01');<\/script>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No sexto dia deste 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